O Rouxinol e o imperador, uma história para se criar

Escrito por Adriana Klisys em . Publicado em Revista Avisa lá #26, Sustança

A artista plástica Taisa Borges cria uma versão visual para o clássico conto de Hans Christian Andersen O Rouxinol e o Imperador. Sem palavras, com muita delicadeza e sensibilidade, o livro permite que o leitor crie sua própria história.
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Ilustrações do Livro O Rouxinol e o Imperador de Hans Christian Andersen por Taisa Borges – Editora Peirópolis

Ainda menina, a artista brasileira Taisa Borges se encantou pelas histórias do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, por isso não pode deixar de participar das comemorações do bicentenário de seu nascimento, celebrado em 2005. Decidiu repetir sua viagem pelas cores e traços da antiga China e recriar a história de O Rouxinol e o Imperador, uma de suas obras mais conhecidas, compondo um livro- imagem de enredo instigante. O Rouxinol e o Imperador conta a história de um soberano chinês que descobre a cura para sua melancolia na melodia de um sábio pássaro. Quem já conhece o conto irá se surpreender com esta nova versão, de pura imagem.

E quem ainda não o conhece irá se encantar com as múltiplas possibilidades de leitura do livro. Em O Rouxinol e o Imperador, podemos encontrar algumas pistas de como trabalhar o universo da estética na sala de aula, ampliando a curiosidade e a imaginação das crianças.

Recriar personagens
Para começar, vale observar o processo de trabalho da autora, que lançou mão de muita pesquisa para ambientar a história e compor os personagens. Diz a artista: fui montando o meu chinês. Pesquisou expressões, texturas que a conduzissem a uma forma própria de representar a figura do imperador. Procurou detalhes para o figurino do soberano na porcelana Ming, em estamparias, motivos, desenhos e caligrafia chinesa. Tal qual a artista, cada criança pode ser estimulada a pesquisar e montar o seu chinês, fazendo um produto que seja a sua síntese pessoal. No decorrer do livro, encontram-se ideogramas chineses e muitas referências orientais, que irão transportar as crianças imediatamente para um outro mundo. Seria interessante explicitar a elas estas referências, mostrando livros de arte chinesa, para perceberem como a criação artística também é fruto de pesquisa, aliada à sensibilidade e ao gosto pessoal do artista.

Logo na primeira página, a referência ao mapa vermelho com arabescos de porcelana chinesa estampados é um bom exemplo para ser apreciado com o grupo. Olhando com atenção podemos encontrar o selo comemorativo do bicentenário do nascimento de Andersen na gola do kimono imperial (o mesmo que se encontra na contracapa do livro), inspirado numa técnica chinesa de recorte, utilizada para teatro de sombras, chamada Jian Zhui. Como desdobramento dessa atividade, pode-se sugerir às crianças que criem figurinos e cenários para a história, por meio de pesquisa da paisagem chinesa. Uma boa opção é o trabalho misto com desenho e colagem. A própria autora desenhou e depois utilizou os recursos do computador para recortar e colar imagens. Na escola, uma saída seria o uso da tesoura.

A mesma orientação vale para qualquer proposta de desenho de personagem. Por exemplo, se a proposta é que as crianças façam a boneca Emília, personagem de Monteiro Lobato, é preciso dar elementos para sua produção. A idéia não é copiar uma das versões dadas pelos livros ou por fitas de vídeo, e sim que a criança possa, através da pesquisa nas imagens de diferentes bonecas de pano, na observação da padronagem de tecidos ou de sua experiência pessoal com bonecas, criar uma imagem que seja uma síntese própria, alimentada por um repertório de representações. Afinal, não devemos nos esquecer que a palavra “imagem” se desdobra em “imaginário”, “imaginação”!

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Descobrindo cenários
Outra proposta é chamar a atenção das crianças para a caracterização do mundo do imperador e do rouxinol. É possível observar a diferença entre ambientes artificial e natural. A partir desta discussão, pode-se propor o levantamento de características dos diferentes ambientes de uma outra história conhecida para enriquecer as produções. Para trabalhar, por exemplo, a floresta em que Branca de Neve se perde, a turma pode apreciar cenários de floresta em obras de arte ou mesmo em livros de paisagens.

Após um bom levantamento do que caracteriza esse ambiente, o grupo pode ter condições de desenhar um cenário mais rico. Como não é absolutamente necessário conhecer o conto do qual ele se origina para apropriar-se do livro de Taisa, o professor pode oferecer o livro às crianças, para que contem sua própria história. Pode também propor que cada dia uma criança conte a sua versão da história. Ou, ainda, que duplas de crianças criem coletivamente uma história, a partir da imagem, para contarem ao grupo.

O professor pode ler a história criada por Andersen antes ou depois das produções das crianças. Uma boa opção também é assistir à versão da história em vídeo, da série Contos de Fadas – Coleção Europinha, com Mick Jagger no papel de imperador. Apenas vale o cuidado para não indicar propostas como estas em excesso, para que a criança não associe que sempre deve fazer uma ilustração após ouvir uma história. As atividades aqui sugeridas trazem propostas para a criança aprender a ler as imagens do livro e apreciar suas referências a partir de outras produções. Assim, podem aprender com o percurso criador dos artistas e fazer uso dessas aprendizagens na sua própria trajetória criativa.

(Adriana Klisys, formadora do Instituto Avisa Lá e coordenadora da Caleidoscópio Brincadeira e Arte)

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A autora

Artista plástica com formação na Beaux Artes, de Paris, Taisa Borges estudou também no Studio Berçot, escola de pesquisa e criação em estilismo. No Brasil, integrou a Cooperativa de Moda, nos anos 90. Trabalhou como ilustradora para o jornal A Folha de S. Paulo e a Revista Vogue, entre outras publicações. Dedicou-se a desenhos de estampas de tecidos e coordenou uma empresa de estamparia para exportação de produtos de cama e mesa, chamada Motivos Brasileiros.

Atualmente, é responsável pela cara da Editora Peirópolis, que agora lança seu livro O Rouxinol e o Imperador, adaptação do conto de Hans Christian Andersen, para comemorar os 200 anos de seu nascimento.

(O Rouxinol e o Imperador, Hans Christian Andersen, Adaptação de Taísa Borges. Ed. Peirópolis, 2005. Editora Fundação Peirópolis – Rua Girassol, 128 – Vila Madalena – São Paulo – SP – CEP: 05433-000 – Tel: (11) 3816-0699 – Fax: (11) 3816-6718 – Site: www.editorapeiropolis.com.br)

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Desenhos de Maria Luísa e Luca Fontes

Hans Christian Andersen

Nascido em 2 de abril de 1805, o poeta e novelista dinamarquês Hans Christian Andersen ficou conhecido na história como o maior escritor de contos infantis da literatura mundial. É também considerado o primeiro autor a usar o estilo do Romantismo para contar histórias para crianças. Antes de ser um escritor conceituado, Hans Andersen tentou a vida em várias áreas da arte: música, dança e até artes manuais.

Com 17 anos sua vida mudou. Jonas Collin, o chanceler e diretor do Teatro Real de Copenhagen, leu uma peça escrita pelo rapaz e nele viu a possibilidade de desenvolver um grande autor. Com isso, Hans Andersen teve seus estudos financiados e ainda ganhou uma viagem de 16 meses pela Alemanha, Itália, França e Suíça, para enriquecimento cultural. Seu sucesso veio com as histórias infantis. Em 1835 escreveu quatro histórias com o título Contos de Fadas para Crianças. Foi lido por crianças e adultos, e todos queriam mais. Até 1873 já tinham sido publicados mais de 160 contos. Entre eles, os mais conhecidos são: O Patinho Feio, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Imperador e O Soldadinho de Chumbo.

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Desenhos de Cauê e Vitor

Ficha técnica

Liu Yongxin Revistas – Livraria Chinesa
Av. Liberdade, 622. São Paulo – SP. CEP: 01502-001
Tel.: (11) 3207-4319. E-mail: wenchan_lin2@hotmail.com

Consulado da China em São Paulo
Rua Estados Unidos, 1071 – Jardim América. São Paulo – SP. CEP: 01427-001 – Tel.: (11) 3082-9877. E-mail: chinaconsul_sp_br@mfa.gov.cn

Consulado da China no Rio de Janeiro
Rua Muniz Barreto, 715 – Botafogo. Rio de Janeiro – RJ. CEP: 22251-090 – Tel: (21) 2551-4578. Fax: (21) 2551-5736.
Site: http://www.consulado-china-rj.org.br/pot/. E-mail: postmaster@consulado-china-rj.org.br

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Para saber mais

Livros:

  • O Rouxinol e o Imperador da China, Hans Christian Andersen. Ed. Global. Tel.: (11) 3277-7999
  • O Rouxinol e o Imperador, Giselda Laporta Nicolelis. Ed. Moderna. Tel.: (11) 6090-1500.

Filmes:

  • O Imperador e o Rouxinol. Direção de Jiri Trnka e narração de Boris Karloff. Disponível nas locadoras.
  • O Rouxinol. Direção de Ivan Passer. Participação de Mick Jagger. Disponível nas locadoras.
  • O Patinho Feio – Coleção Conto Ilustrado, Hans Christian Andersen. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3241-3677.
  • A Pequena Sereia – Contos de Andersen, Hans Christian Andersen. Ed. Melhoramentos. Tel.: (11) 3874-0940.
  • A Roupa Nova do Imperador, Hans Christian Andersen. Ed. Martins Fontes. Tel.: (11) 3241-3677.
  • O Soldadinho de Chumbo – Contos de Andersen, Hans Christian Andersen. Ed. Melhoramentos. Tel.: (11) 3874-0940.
  • Histórias Maravilhosas de Andersen, Hans Christian Andersen. Ed. Cia das Letrinhas. Tel.: 0800 014 2829.

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<h6>Este conteúdo faz parte da Revista Avisa lá edição #26 de abril de 2006. Caso queira acessar o conteúdo completo, compre a edição em PDF ou impressa através de nossa loja virtual – <a href=”http://loja.avisala.org.br”>http://loja.avisala.org.br</a></h6>

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